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11 de jun. de 2010

Torto Canto

Se eu disser que meu tempo é agora
Agora é um momento ruim pra isso
Calma ausente é a pressa que devora
Oriente e ocidente, prumo e enguiço

É que só eu sei minhas preces e magias

Vão dizer que me repito demais
Indo e voltando no ponto cambota
Vaiando a dor de um só idiota
E eu digo que aqui dentro jaz
Restos mortais de tudo que importa

Diante de tanto remédio vencido
Eu desfio o rosário de lamentos
Na noite dos dias de teto de vidro
Tudo desafia o caos-sentimento
Rogo aos céus que me dêem tempo
Outro dia eu volto e acerto a dívida

Dois faz par, mas não faz felicidade
Eu sei e sei quem mais que sabe

Mas dos dias de contente
Inteirei um bocado de alegria
Morna e ás vezes quente e fria


11 de dez. de 2008

Documento sem título



Definitivo. Dê fim a isso ou aquilo. Imperativo, da ordem do quê? A instância - que obriga a finalizar e formalizar o estado da coisa - por agora grita. As idéias que brincam com o adiamento, olham curiosas e arteiras, tal qual criança que argumenta e esperneia antes de ir pra cama. Definitivo. Sisuda urgência imposta. Dever. Sem mais para o momento.

4 de dez. de 2008

Canto para (certo) romance

“Goodbye Heartbreak, dont look for me, ´cause I dont need you now”
Goodbye Heartbreak
- Lighthouse family


Era tarde, mas nem tanto. Não era tarde pra descobrir um novo amor, mas um novo amor descoberto não deveria ser pego desprevenido tão cedo. E tudo que ela queria era ter alguém que recebesse como um presente essa cachoeira de água doce e salgada, que brota no peito e tem ritmo de suspiro. Mas o destinatário não estava em casa. O pacote voltou.

E quando voltou, era tarde. A devolução não veio com selo de esperança, mas com carimbo de “devolver ao remetente”. Ela entendeu o recado. O pacote era dela (de novo) pra oferecer a quem quiser receber. Isso foi bom, mas não foi doce, que bem entendam, foi amargo como café sem açúcar. Revigorante. O carimbo do correio fez sentido, a devolução fez sentido. Mas era tarde. Tarde pra ter esperança naquele amor.

E é cedo também. Cedo pra um novo amor. As águas ainda teimam na mesma direção. É preciso tempo pra que a cachoeira se acostume com a continência, e depois com um novo curso. Agora é tempo de re-usinar essa água, de voltar para si. É hora de deixar correr pra dentro. É hora de pés no caminho. É hora de chorar o romance certo, batizando-o de duvidoso.

Uma piada antiga diz que um moço olha uma casca de banana na calçada e se queixa: “Lá vou eu escorregar de novo!”. Pro coração dela, era tarde demais pra isso.